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Ecopress
Desde: 17/03/2000      Publicadas: 26928      Atualização: 01/12/2009

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 Notícias com Baixa Repercussão
  19/10/2009
  0 comentário(s)


Ministério do Meio Ambiente propõe cortar até 40% do CO2
Meta até 2020 não prejudicaria a média de 4%
de crescimento ao ano.
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) apresentou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
uma proposta de reduzir em até 40% as emissões totais de gás carbônico do Brasil em 2020 em
relação à tendência atual do país, sem prejudicar um crescimento médio nacional de 4% ao ano.

Esta deve ser a parte fundamental do "desvio significativo" da trajetória de emissões do país, que
Lula prometeu na ONU que defenderia na conferência do clima de Copenhague, em dezembro.

Se encampada pelo Planalto, a proposta do Meio Ambiente equivalerá à meta brasileira contra o
aquecimento global, e traria as emissões em 2020 de volta aos níveis de 1990.

"Metade desse corte [20%] poderá ser conseguido com uma redução de 80% no desmatamento da
Amazônia até lá", disse à Folha Suzana Kahn Ribeiro, secretária de mudanças climáticas do MMA
(Ministério do Meio Ambiente).

Os outros 20% viriam do controle do desmatamento de outros biomas, como o cerrado e a
caatinga, e com uma renovação ainda maior da matriz energética nacional.

Caso nada seja efeito, daqui a 11 anos o Brasil estará lançando na atmosfera 2,8 bilhões de
toneladas de gás carbônico.

A proposta de redução, porém, dependeria de um financiamento anual de cerca de US$ 10 bilhões,
o que viria de de países desenvolvidos.

"Não podemos aceitar que coloquem nos países em desenvolvimento o peso sobre a redução da
emissão de gases", disse Carlos Minc.

Na reunião de ontem com Lula, a proposta de Minc foi uma das três apresentadas. O Ministério de
Ciência e Tecnologia e o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas também levaram suas ideias
ao presidente, que sugeriu um consenso até o próximo dia 20.

O Itamaraty também participou da reunião de ontem. No entanto, somente o MMA trouxe números à
mesa.

Diante do que foi apresentado em Brasília ontem, dois problemas iniciais surgem.

O real controle sobre o desmatamento é um deles. A implantação de políticas públicas eficientes
para que a outra parte do corte sugerido ontem seja alcançado é outro gargalo.

O Brasil não tem um sistema eficiente de monitoramento da derrubada de outros biomas. No setor
energético, também, a tendência recente tem sido a entrada em operação de usinas termelétricas,
que sujaram em 30% a matriz energética nacional entre 1994 e 2007.

Efeito Marina

Presente à reunião, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fez pelo menos dois pedidos aos
representantes dos ministérios. Que novos cálculos fossem feitos com uma taxa de crescimento
anual maior, de até 6%, e que a política da construção de hidrelétricas fosse ainda mais fortalecida
-cobrando de Minc agilidade nos licenciamentos.

O problema desse último desejo da ministra, como sabem os próprios representantes do MMA, é
que grandes obras na região amazônica nem sempre primam pela preservação ambiental. "Mas
isso é uma questão que precisa ser equacionada", diz Tasso Azevedo, consultor do MMA que
montou os cenários apresentados.

Segundo relato de pessoas presentes à reunião, Dilma se espantou ao saber que o Brasil emite
mais CO2 que o Japão.

Pré-candidata à Presidência da República, a ministra diz que irá a Copenhague, onde sua rival
política, Marina Silva, é presença garantida.

Com o tema ambiental na agenda para a eleição de 2010, Lula também tem dado atenção especial
ao clima.

Ontem o presidente tratou do assunto ao telefone com Barack Obama, a quem telefonou para
parabenizar pelo Nobel da Paz. Lula e Obama se comprometeram a colocar em contato as equipes
técnicas dos países nestas semanas que antecedem a conferência.
  Web site: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u637735.shtml  Autor:   Folha de São Paulo


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