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Desde: 17/03/2000      Publicadas: 26928      Atualização: 01/12/2009

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 Notícias com Alta Repercussão

  10/08/2009
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Brasil lidera uso mundial de agrotóxicos

O mercado girou US$ 7,12 bilhões e, apesar do
avanço, lua de mel entre indústria e produtores
deve ser passageira

O Brasil, segundo estudo da consultoria alemã Kleffmann Group, é o maior mercado de agrotóxicos
do mundo. O levantamento foi encomendado pela Associação Nacional de Defesa de Vegetal
(Andef), que representa os fabricantes, e mostra que essa indústria movimentou no ano passado
US$ 7,1 bilhões, ante US$ 6,6 bilhões do segundo colocado, os Estados Unidos. Em 2007, a
indústria nacional girou US$ 5,4 bilhões, segundo Lars Schobinger, presidente da Kleffmann Group
no Brasil. O consumo cresceu no País, apesar de a área plantada ter encolhido 2% no ano
passado.

Apesar do grande volume de recursos movimentados pela indústria no mercado brasileiro, o
consumo por hectare ainda é pequeno em relação a outros países. De acordo com o levantamento,
o gasto do produtor brasileiro com agrotóxico ainda é pequeno, se comparado a outros países. Em
2007, gastou-se US$ 87,83 por hectare. Na França, os produtores desembolsaram US$ 196,79 por
hectare, enquanto no Japão a despesa foi de US$ 851,04. Por esse motivo, o presidente da
consultoria acredita que a tendência nos próximos anos é que o Brasil se estabilize na primeira
colocação no consumo de agrotóxico.

O Brasil leva vantagem na pesquisa por se tratar de um país com grande área cultivada e também
pelo tamanho da produção que sai do campo. "O País é o grande produtor de alimentos do mundo,
lidera praticamente em todos os produtos agropecuários", comenta Ademar Silva, presidente da
Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

Para Schobinger, o aumento do consumo de agrotóxico traz vantagens ao País. "Dessa forma, é
possível aumentar o ganho de produtividade. O uso desses produtos facilita o controle de pragas a
que estamos mais expostos por sermos um país tropical", explica.

NOVAS PRAGAS

Em parte, o aumento do uso de agrotóxico tem a ver com o surgimento de pragas. Até seis anos
atrás, cita o executivo da Kleffmann, não se falava, no Brasil, da ferrugem da soja. Para combater as
pragas, a indústria corre atrás de pesquisas e lança produtos no mercado.

"O aumento tem a ver também com o crescente uso de tecnologias no campo. Quanto mais
avançado o sistema produtivo, maior o consumo de agrotóxico. Neste momento é importante fazer
um balanço da relação entre risco e benefícios do seu uso", diz Luís Rangel, coordenador de
Agrotóxicos do Ministério da Agricultura.

Segundo Schobinger, há evolução não apenas no combate a novas pragas, mas nas diferentes
formas de usar o agrotóxico. No Brasil, tem crescido ano a ano a utilização nas sementes, em
substituição à pulverização das lavouras, o que costuma causar mais danos aos trabalhadores e
ao ambiente.

Apesar do uso crescente de agrotóxicos no País, a relação com os produtores continua difícil,
segundo o presidente da Famato. "Os preços só caíram cerca de 30% na safra de verão porque os
Estados Unidos, grande mercado para essa indústria, estão em crise e é preciso desovar a
produção. Além disso, tivemos duas safras muito ruins por aqui nos últimos anos e a situação do
produtor ficou mais delicada", diz Silva.

Ele acredita que a lua de mel deve durar pouco. "Basta o mercado internacional se recuperar para
os preços subirem novamente. A indústria tem esse poder. É ela quem faz o preço."

Na opinião de Luiz Cláudio Meirelles, gerente geral de Toxicologia da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), a liderança brasileira preocupa. "São substâncias tóxicas que são
objeto de ação regulatória no mundo. No Brasil, temos dificuldade de ação de controle, falta de
recursos humanos e falta de laboratórios, enquanto a velocidade de consumo avança", detalha.
Atualmente, há cerca de 450 ativos usados na produção de agrotóxicos registrados na Anvisa e os
pedidos para a concessão de mais licenças não param de chegar.

No início da semana, representantes de 64 indústrias asiáticas, a maioria chinesa, se reuniu em
São Paulo para conhecer melhor as regras do mercado interno. Foi a terceira edição da feira China-
Brazil AgroChemShow.

A segunda maior fabricante de glifosato do mundo, a chinesa Fuhua, planeja mandar para o Brasil
30% das suas exportações a partir do ano que vem, quando espera já ter os registros da Anvisa
para três produtos .





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