| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

Ecopress
Desde: 17/03/2000      Publicadas: 26928      Atualização: 01/12/2009

Capa |  Cadastre-se  |  Eco Watch  |  Eco-Eventos  |  Ecolinks  |  Expediente  |  Newsletller  |  Notícias com Alta Repercussão  |  Notícias com Baixa Repercussão  |  Opiniões  |  Parceria


 Eco Watch

  02/09/2007
  0 comentário(s)


Estudo faz radiografia das Unidades de Conservação da Amazônia


O sistema de áreas protegidas da Amazônia precisa sair do papel para se tornar uma rede real de proteção da biodiversidade, segundo um estudo divulgado pela Fundação Vitória Amazônica. Caso contrário, dizem os especialistas, será apenas uma questão de tempo para que os "parques de papel" se desmanchem diante das motosserras e das labaredas trazidas pelo desmatamento.

Apesar do número de unidades de conservação (UCs) ter crescido muito nos últimos anos, apenas 49 das 200 unidades federais e estaduais pesquisadas, ou seja, 24% delas, possuem plano de manejo - o documento básico, produzido em parceria com as comunidades locais, que deve nortear o uso e a administração da área. Além disso, vários dos planos estão desatualizados com relação à lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), aprovada há mais de sete anos.

"Começamos esse estudo no ano passado para ter uma visão mais completa do sistema de unidades de conservação. Os problemas que encontramos não são nenhuma grande novidade, mas esperamos que os órgãos de gestão ambiental revejam essa situação e as UCs possam ser gerenciadas de maneira mais adequada", diz Sérgio Henrique Borges, coordenador do Programa de Pesquisa Científica da Fundação Vitória Amazônica, ONG com sede em Manaus que, entre outras coisas, aponta a falta infra-estrutura adequada, com facilitação de acesso por transporte náutico ou por terra, escritórios locais para abrigar pesquisadores e técnicos.

Em 147 unidades estaduais pesquisadas, apenas 27 dispõem de infra-estrutura mínima, como bases de apoio barcos, motores, veículos ou computador. O que não soa tão surpreendente quando se leva em conta que 80% não têm um único técnico lotado: a média entre as UCs estaduais é de 0,6 funcionário por unidade. Entre as federais, o índice é de 4 funcionários por unidade.

Considerando todas as UCs com dados sobre número de pessoal (67 unidades), cada funcionário é responsável por 230 mil quilômetros quadrados de floresta. "Não basta ter dinheiro disponível, tem que ter gente para executar as ações", diz o coordenador-executivo da Fundação Vitória Amazônica e co-autor do estudo, Carlos Durigan. "Quando você tem pelo menos uma pessoa, alguém que responda pela unidade alguma coisa acontece."

Outro entrave gerado pela falta de pessoal é a dificuldade de fiscalizar a ação dentro das unidades. "A fiscalização é feita normalmente por operações conjuntas, envolvendo Ibama, Polícia Federal e batalhões das polícias florestais, o que é melhor do que nada. Mas o ideal seria é que cada UC planejasse um sistema contínuo de fiscalização", diz Sérgio Borges.

LADO POSITIVO

Mesmo sem uma implementação efetiva, o mosaico de áreas protegidas tem se mostrado uma ferramenta crucial no combate ao desmatamento, segundo Carlos Durigan. A decretação de uma área como unidade de conservação garante ao poder público a titularidade da terra, quebrando o processo de grilagem fundiária que está na base do processo de destruição da floresta. O pesquisador José Maria Cardoso, vice-presidente no Brasil da ONG Conservação Internacional, parceira na divulgação da pesquisa, concorda. "De um modo geral, é melhor tê-las criadas do que o contrário, porque pelo menos os grileiros não invadem, porque sabem que não terão direito ao título da terra no futuro. É claro que existem outros problemas de invasão e exploração ilegal de recursos, o que depende da região em que a UC se localiza. Quando ela está em áreas onde a floresta já se tornou escassa e existe mais pressão no entorno, como a Rserva Biológica do Gurupi, na fronteira do Pará com o Maranhão, há mais probabilidade de ser invadida".

A criação de UCs em áreas de avanço do desmatamento (como o oeste do Pará) tem sido uma das principais estratégias do Ministério do Meio Ambiente, que desde 2003 quase duplicou a área de unidades federais na região. "Mais importante do que o tamanho é onde elas são criadas", diz o secretário-executivo do ministério, João Paulo Capobianco.

Mas para José Maria Cardoso, é necessário que haja ainda mais rapidamente a efetivação das unidades de conversação, com a criação dos planos de manejo e estratégias de financiamento, em áreas onde já sobram poucas florestas e a ação humana avança. "Em áreas de grande pressão, como o Parque Nacional da Amazônia em Itaituba, as unidades de conservação da Terra do Meio e ao longo da BR-163, se não houver investimento rápido, corre-se um risco muito grande de elas não cumprirem o papel para que foram criadas".

Para Sérgio Henrique Borges, o fortalecimento das UCs só virá com o fortalecimento dos órgãos de gestão ambiental, com o aumento dos orçamentos disponíveis e com a contratação de mais técnicos treinados para as áreas. (Ecopress com informações do jornal O Liberal - 03/09/07, às 9h00).



  Mais notícias da seção Amazônia no caderno Eco Watch
24/07/2008 - Amazônia - Manejo sustentável da Orsa Florestal preserva biodiversidade na Amazônia
Experiência de sucesso na exploração ambientalmente responsável de territórios de floresta amazônica nativa faz da empresa um dos principais nomes do segmento no Brasil ...
14/07/2008 - Amazônia - GRILAGEM NA AMAZÔNIA VIRA LEI
Senado aprova MP que legaliza áreas públicas invadidas e estimula a destruição da floresta...
29/09/2007 - Amazônia - Especialistas cobram proteção da Amazônia
Um dia depois de anúncio do presidente Lula, pesquisadores pedem medidas mais radicais ...
09/09/2007 - Amazônia - Brasil lança neste mês novo satélite para monitoramento territorial
Missão é crucial para que o País continue a ter imagens da Amazônia; instrumentos atuais podem parar de funcionar ...
02/09/2007 - Amazônia - Desmatamento aquece Amazônia em até 4C, diz Inpe
Estudo sugere que derrubada de mais de 40% da floresta muda o clima local, disparando o processo de savanização.Simulação em computador mostrou que troca da mata por lavoura de soja pode reduzir chuvas em até 24% no verão no leste amazônico ...



Capa |  Cadastre-se  |  Eco Watch  |  Eco-Eventos  |  Ecolinks  |  Expediente  |  Newsletller  |  Notícias com Alta Repercussão  |  Notícias com Baixa Repercussão  |  Opiniões  |  Parceria


Busca em

  
26928 Notícias


Parceria
 

Projetos Ambientais

 

Artesanato com fibras vegetais do interior do Amazonas tem mercado internacional

 

Desenvolvimento Sustentável

 

Refreando o consumismo

 

Desenvolvimento Sustentável

 

O "papa" do decrescimento

 

Desenvolvimento Sustentável

 

"Decrescendo"....Parte 1

 

Empresas

 

Imagens CST